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20 março 2016

Um desastre perfeito

Pareciam completamente diferentes, mas as brigas eram exatamente por serem tão iguais. O encontro entre um furacão e um vulcão, por assim dizer. Dois desastres naturais apaixonados, que acharam a felicidade bem ali, entre lavas e redemoinhos. Se num segundo discutiam, no outro estavam na cama. Tudo o que viviam era intenso, sentido na pele. Mas, ao mesmo tempo, era essa explosão de sentimentos que os trazia paz. Eram as faíscas do abraço, o choque do beijo, o calor das mãos. Eram as mensagens que o corpo e a mente enviavam, a todo instante, dando a certeza de que não havia outra pessoa no mundo com quem eles queriam estar.


A perfect disaster 
They seemed to be totally different, but the fights were exactly because they were so alike. The meeting between a hurricane and a volcano, so to speak. Two passionate natural disasters, which found happiness right there, between eruptions and swirls. If in a second they argued, the next minute they were in bed. All that they lived was intense, feeling by skin. But at the same time, it was that explosion of feelings that brought them peace. The sparks of the hug, the shock of the kiss, the warmth of the hands were the messages that body and mind sent, every moment, giving them the certainly that there was no other person in the world that they wanted to be with.
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26 maio 2015

Última vez

Não vou mais me envolver, ela disse. Olhava o reflexo no espelho, tentando acreditar naquelas palavras. Quantas vezes já havia prometido para si mesma que era a última vez? Começou a rir. Sempre surgiam novas pessoas, novas histórias. Não importava o quanto endurecesse seu coração ou o quão grossa fosse a armadura. Mais cedo ou mais tarde, ela sabia, aquele sorriso avisaria o que estava por vir. E quando menos percebesse, um beijo traria um recado especialmente para a razão: vale o risco. De novo.
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04 maio 2015

Insônia

Não conseguia dormir. O quarto era um silêncio sepulcral, mas o coração gritava. Gritava de saudade. Gritava pedindo para sair dali. A mente, em conjunto, trazia uma série de memórias, mostrando onde queria estar. Reivindicava por domingos de manhã, cama desarrumada e o corpo dele para se aninhar. Pedia pelo beijo, pelo cheiro, pelo olhar que não cansa, pelo abraço que protege. Pedia por ele.
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25 novembro 2014

Arrepio

Costas, pescoço, arrepio. Qualquer problema sumia quando ele mergulhava em sua nuca. A cada beijo o corpo amolecia. A cada respiração ao pé do ouvido a guarda baixava. As palavras perdiam o sentido e qualquer coisa que tentasse dizer entregava que ela, sempre dona do próprio nariz, estava vulnerável nos braços de alguém. Ele tinha passado o limite das bobagens que as pessoas criam sobre não se envolver. E pelo sorriso na boca, ele já sabia.
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23 outubro 2014

Diferente

De repente as coisas tinham mudado. As cores, o céu, a música, a inspiração. A vida tava um pouco diferente e eles tentando entender. De repente as coisas tinham aumentado. As vontades, os sonhos, o carinho, a atração. A vida tava muito diferente e eles tentando entender. De repente as coisas tinham se ajeitado. O beijo, o encaixe, o desejo, a paixão. A vida tava mesmo diferente...e eles entenderam tudo.
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17 outubro 2014

Little Talks

Desligou o telefone rindo. Falar com ele era sempre assim, divertido. Conversas despretensiosas, de tudo sobre nada, mas que significavam muito. Virou para o lado enquanto pensava no tempo, tão pouco, em que se conheciam. Como podia já serem melhores amigos? Concluiu que às vezes a vida tem dessas: aproximar pessoas com vontades em comum. Dormiu, sem perceber, que nascia ali a vontade de serem um só.
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11 março 2014

Roteiro

Criou diálogos fictícios e possíveis perguntas que ambos poderiam fazer um ao outro. Imaginou gestos, olhares, sorrisos que tentariam ser discretos, mas acabariam chamando atenção para os lábios. Imaginou abraços, toques e a faísca que poderiam causar. Mas esqueceu que, para um roteiro dar certo, o outro personagem também tinha que seguir o script. Pegou no sono com o notebook ainda ligado. A internet, às vezes, tinha mais magia do que a vida real.
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25 maio 2013

Sozinha

Andava pelas ruas, enquanto analisava o que sentia. Meses, pensou. Já havia passado por meses e ainda era como se atravessasse apenas a primeira semana. Será que ele ainda pensava nela? Será que sentia falta do cheiro, do abraço apertado? Lembrou de quando gargalhavam juntos no carro, ou quando brincavam embaixo das cobertas. Olhou para o lado. Desejar não trazia as pessoas para perto e percebeu que esse era o jeito como seguiria por um bom tempo. Sem ele.
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19 março 2013

Fotografia

Aguardava o rapaz da revelação voltar. Ansiosa, balançava os pés, imaginando as fotos. Havia cansado de olhar imagens no computador. Fotos são memórias para pegar com as mãos, pensou. E assim foi. Reveladas, pareciam ter mais cor. Contraste. Sentimentos. Reviveu momentos que pareciam infinitos e decidiu: a parede ia virar mural. Agora, quando a saudade aperta, escolhe uma para amassar entre as lágrimas. Tô mais perto, ela susurra.
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06 novembro 2011

Metrô

Entram apressados no metrô. Misturam-se às pessoas. Sempre cheio, pensam eles, enquanto correm os olhos pelo vagão. Som alto nos fones, não notam que escutam a mesma música. Preocupados com a hora, não percebem que o tempo pararia se trocassem um olhar. A voz gravada anuncia a próxima estação. Descem, sem saber, que deixam um grande amor para trás.
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21 setembro 2011

Mãos

Andavam de mãos dadas pela rua. Gostavam daquilo. Sentiam a pele um do outro. Um gesto simples, que ligava os dois. Brincavam de não soltar as mãos por nada e ele, vez ou outra, beliscava a dela por um beijo. Será que um dia essas mãos receberiam uma aliança, pensou ela. E ele, sem saber da dúvida, respondeu para si mesmo: queria segurar aquela mão pela eternidade.
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08 setembro 2011

Olhos de amor

Via amor em tudo. Nas placas, no trânsito, no metrô, nas pessoas. Tinha virado um ímã de casais apaixonados e tudo o que girava à sua volta parecia estar em um eterno romance. Na TV, filmes clichês provavam que o amor ainda estava em alta. No telefone, a surpresa de uma voz encheu o coração de alegria. E então percebeu. O amor não estava lá fora. O amor estava ali dentro.
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05 setembro 2011

Memórias

Fotos, cartões, embalagens de bombons. Olhava para os pedaços de memórias e via os momentos voltarem à tona. Apertou uma carta junto ao peito e os sentimentos mais profundos de saudade fizeram lágrimas escorrer pelo rosto. Sentia falta dos sorrisos, das brincadeiras, dos filmes no colchão. Sentia falta do carinho. Sentia falta até das brigas. Sentia falta dele.
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11 agosto 2011

As horas

As horas passavam devagar. Os minutos pareciam cochichar entre si, tramando um plano sonolento junto ao ponteiro do relógio. Mais rápido, ordenou ela. Ansiedade que consumia. Dúvidas que queimavam. Um encontro, uma conversa, uma decisão. Colocar parte da sua vida na mão de outra pessoa não parecia certo. E se eu sofrer?, pensou. Ao que o coração respondeu: A gente tenta outra vez.
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20 junho 2011

A Dor

Tinha todos os motivos do mundo para esquecê-lo. Do mais simples, ao mais cruel. Pensava no quanto ele a havia machucado e sofria. Pensava no quanto queria ser feliz e sofria. Dor era uma coisa estúpida, pensou. Não podia estar certo sentir que a única coisa capaz de afastar sua dor era quem a causou. E sofria.
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12 junho 2011

O problema

Durante muito tempo procurou o problema em si mesma. Tentou encontrar motivos, perceber falhas. Tentou entender o porquê de tudo terminar assim. Mas ao olhar para ele, pela última vez, lembrou do amor que um dia sentiu. E enxergou. O problema não estava nela. O problema era ele.
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07 junho 2011

Microromances

Olhares, beijos, conversas, histórias curtas. Microromances que vive aos poucos. Culpa de um amor que não deu certo, ela diz. Se doar de corpo e alma para ganhar decepção? Não mais. Agora ela não se doa, não espera. Agora ela vive sem planos. Agora ela vive para o mundo.
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29 maio 2011

Feng Shui

Precisava mudar o rumo das coisas, reinventar a rotina. Na decoração do Feng Shui o equilíbrio vem com a troca de energias, com a mudança de objetos, com a renovação do ambiente. Então era isso, pensou. Ia redecorar tudo: seu coração, sua mente, sua vida.
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19 maio 2011

Milagre

Os problemas a cansavam. A solidão dormia em sua cama todas as noites e ela já não sabia o que era paciência. Estava farta de ciclos que apenas começavam, terminando pela metade. Queria uma mudança. Queria uma ligação. Queria uma aparição. Fechou os olhos. Ela queria um milagre.
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17 maio 2011

Solar

Parou os olhos nos dela. E em um segundo, se perdeu. Íris, retina, cores, reflexos. O sol brilhava junto com eles. Ela sorriu. Para ele, mais um tesouro se juntou ao mundo dourado daquele final de tarde. Apaixonado. Ele estava apaixonado.
 

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