2
comentários

02 abril 2011

Eu quero um amor. Um amor simples.


Eu quero um amor. Um amor simples. Daqueles verdadeiros, que te fazem acreditar na felicidade. Eu quero um alguém. Um alguém fiel. Daqueles apaixonados, que te fazem esquecer todos os outros que já conheceu.

Eu quero que baste um olhar para que as palavras, mesmo não ditas, sejam entendidas. Quero que baste um abraço para que o mundo pare por alguns segundos. Quero que baste um sorriso para que ele me tenha nas mãos.

Eu quero um amor. Um amor simples. Daqueles incondicionais, que te fazem ter certeza de que o seu coração bate por uma razão. Eu quero um alguém. Um alguém amigo. Daqueles compreensivos, que conhecem os nossos defeitos, mas se apaixonam pelas nossas qualidades.

Eu quero que baste um beijo para tomar todo o meu fôlego. Quero que baste um colo para acabar com todos os meus medos. Quero que baste um dia para que eu sinta como se tivéssemos vivido por anos.

Eu quero um amor. Um amor bagunceiro. Daqueles irresistíveis, que reviram os lençóis e te fazem adiar o despertador mil vezes. Eu quero um alguém. Um alguém divertido. Daqueles te ajudam nas fases difíceis do videogame e que te fazem rir o tempo todo.

Eu quero que baste uma ausência para que a saudade grite onde é o nosso lugar. Quero que baste uma atitude para que as promessas jamais sejam quebradas. Quero que baste o nosso amor para mostrar a força que ele, sozinho, tem.

Eu quero um amor. Um amor simples. Daqueles eternos, que, se a tempestade não chegar ao fim, te pegam pela mão e te levam para dançar na chuva.

(Agatha Abreu)
0
comentários

06 janeiro 2010

A Mesa Voadora

Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva
Data: 2001
Resenha: por Agatha Abreu


“Estamos no topo da cadeia alimentar dos bichos de sangue quente e somos da categoria dos predadores: comemos de tudo, da baleia ao escargot. Assim o escritor analisa a espécie, nos ajuda a compreender fomes diversas - e alivia culpas, se elas ainda existirem. Sim, Veríssimo é especialista no assunto. Na cozinha só entra para abrir geladeira, mas sabe comer. Delicia-se com bravos minestrones, carnes malpassadas, tortas sofisticadas ou pastéis de beira de estrada. Sorte a nossa, porque depois de comer tanto e tão bem ele ainda escreve, deliciosamente, sobre experiências viscerais. Ou alguém já descreveu melhor do que o Veríssimo aquele encantamento que sentimos, ah sim, quando a gema se desprende da clara e, viscosa, quente, se desmancha sobre os grãos de arroz? Seus textos também podem nos embriagar, de tanto rir, se o assunto for os tintos mais apropriados para aquele jantar de sexta à noite, ou a ressaca do dia seguinte - Veríssimo aposta que na sua adolescência as bebedeiras tinham grandeza, e na luta desigual entre o cuba-libre e seu instinto de preservação, o primeiro ganhava sempre”.

Acredito que esse texto de abertura presente no livro já seria o suficiente para fazer qualquer mortal sentir vontade de lê-lo. Ainda mais, se o mortal em questão, for amante da gastronomia que nos rodeia tanto no cotidiano, quanto em ocasiões especiais, pois Veríssimo conseguiu unir o útil ao agradabilíssimo: boas crônicas de humor sobre comida.

Colocando o ato de comer como uma forma extrema de possuir o que queremos, o autor conta casos e expõe situações das quais quase todos já tivemos a chance de vivenciar um dia em nossas vidas.

A crônica O buffet, que inicia esse mundo “gastronômico-literal”, mostra de forma clara aquilo que sempre insistimos em esconder: o principal motivo pelo qual vamos as festas é a comida. Encenando um manual de “como se portar em um buffet se quiser comer”, o autor ensina macetes para se satisfazer com sucesso, como levar dois pratos fingindo que um será para o acompanhante, por exemplo.

Outra crônica que merece destaque, principalmente para aqueles que gostam de comidas sem frescura, é a crônica União, gente. Fiquei impressionada ao saber que não só eu, ou Veríssimo, mas muitas pessoas são contra àquela coisinha verde na comida, ou salsinha, como é mais conhecida: “Minha rebelião contra a salsinha ganha adeptos e, a julgar pela correspondência que recebo, esta era uma causa à espera do primeiro grito. Só não conseguimos ainda nos organizar e partir para a mobilização - manifestações de rua, abraços a prédios públicos - porque persiste uma certa indefinição de conceitos. Eu sustento que “salsinha” é nome genérico para tudo que está no prato só para enfeite ou para confundir o paladar, o que incluiria até aqueles galhos de coisa nenhuma espetados no sorvete, o cravo no doce de coco, etc. Outros, com mais rigor, dizem que salsinha é, especificamente, o verdinho picadinho que você não consegue raspar de cima da batata cozida, por exemplo, por mais que tente. Outros, mais abrangentes até do que eu, dizem que salsinha é o nome de tudo que é persistentemente supérfluo em nossas vidas, da retórica à porta-aviões, passando pelo cheiro-verde. Meu conselho é que evitemos a metáfora e a disputa semântica e, unidos pela mesma implicância, passemos à ação. Para começar, sugiro um almoço informal com o presidente da República, em Brasília, para discutir a gravidade da questão, que certamente não merece menos atenção do que as novelas da Globo”. E ele não pára por aí, pois em Salsinha 2, a história continua com referências em línguas diferentes. Realmente, sensacional.

Por fim, acho que o ápice de identificação com o ser humano está em O come e não engorda. Existe pessoa mais invejada do que o come e não engorda? Veríssimo afirma que ele é seu ídolo, já que sonha em emagrecer e depois nunca mais engordar, por mais que tente. O autor conclui ainda, que ele seja de outra espécie “Não é humano. Pode até ser melhor do que nós, um aperfeiçoamento, mas não é humano. Afinal, o que une a humanidade é o seu apetite comum”. E eu concordo. Quem não morre de inveja quando vê aquela amiga, ou aquele primo, que comem esganadamente - e ainda repetem sobremesas - sem remorso algum? Veríssimo conseguiu cutucar nossa ferida. Mas ainda assim, nos consola e arranca aplausos. Mostra que não estamos sozinhos.

Confesso que escrever sobre Veríssimo me dá certo prazer, visto que amo o seu modo de escrever com humor de uma forma totalmente brilhante. Mas isso não me torna suspeita nesse caso, afinal este livro é realmente bom. Desafio alguém a ler não se identificar, pelo menos, com sete das crônicas apresentadas.Pode servir como livro de cabeceira, ou como manual de comportamento. Isso varia de acordo com o grau do passado canibal que existente em cada um. Mas que as risadas são garantidas, ah, isso elas são.
 

Copyright © 2010 Rascunhos Pequenos | Blogger Templates by Splashy Templates | Free PSD Design by Amuki